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Política Monetária

Inflação de serviços resiste e BC sinaliza cautela prolongada nos juros

Por Fernanda Queiroz · 29 jul 2026 · Atualizado: 30 jul 2026

O componente de serviços do IPCA voltou a surpreender negativamente em junho, acumulando alta de 6,8% em 12 meses — bem acima da meta central de 3%. O Banco Central, que vinha adotando um tom mais neutro nas últimas reuniões, endureceu o discurso no comunicado desta semana.

A resistência da inflação de serviços é um fenômeno que os economistas do BC acompanham com atenção desde o início do ano. Diferente da inflação de bens, que responde mais rapidamente às variações cambiais e de commodities, os preços de serviços têm inércia maior — e são mais sensíveis ao mercado de trabalho.

Mercado de trabalho como vetor

Com o desemprego em 6,8% — o menor nível desde 2014 — a pressão salarial continua presente. Setores como alimentação fora do domicílio, saúde e educação registraram altas acima de 7% nos últimos 12 meses. Para o BC, isso é um sinal de que a demanda doméstica ainda está aquecida demais para permitir uma flexibilização monetária sem riscos.

O comunicado do Copom desta semana foi claro: "o comitê avalia que a convergência da inflação para a meta requer manutenção da política monetária contracionista por período suficientemente prolongado". Na prática, isso significa que qualquer corte de juros em 2026 está cada vez mais improvável.

O que esperar

O mercado já precifica a Selic estável até pelo menos março de 2027. Alguns bancos trabalham com a possibilidade de uma alta residual de 0,25pp no último trimestre do ano, caso os dados de inflação continuem surpreendendo. Esse não é o cenário base, mas tampouco pode ser descartado.

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Fernanda Queiroz
Editora de Macroeconomia
Cobre política monetária e macroeconomia brasileira há 13 anos. Formada em economia pela FEA-USP, com especialização em política monetária pela FGV.